Madalena Costa: o talento sobre rodas, que conquistou o título mundial em patinagem artística

Madalena Costa, atleta do Sporting Club Santacruzense, com 13 anos sagrou-se campeã mundial em patinagem artística, no escalão de cadetes, quando venceu a Taça do Mundo, a 11 de agosto 2022, em Gottingen, na Alemanha.

Reportagem de Francisca Jardim

Foi apenas aos 4 anos que calçou os primeiros patins, e desde então, nasceu um talento sobre rodas. Seguiu as pegadas da mãe e foi além do seu sonho de menina. “A minha paixão pela patinagem artística surgiu quando eu era bastante pequenina. A minha mãe é treinadora, e desde cedo que eu via nos seus treinos as meninas a patinar. Comecei a patinar por volta dos meus 4 anos por brincadeira, mais seriamente foi aos 7 anos, quando fui campeã Nacional pela primeira vez”, recorda a atleta.

Hoje, é a única atleta na história da patinagem artística da Madeira a vencer a este nível. A seriedade com que encarou a modalidade valeu-lhe mais cinco títulos nacionais e regionais, venceu duas Taças da Europa como infantil e um título de campeã no Torneio Sedmak Bressan. 

Ser a melhor do mundo, no seu escalão é “uma ótima sensação”, mas o que Madalena Costa nunca imaginou foi concretizar o seu sonho de criança tão cedo. “Senti que o meu maior sonho de criança se estava a realizar no momento em que subi ao pódio e ouvi o hino tocar”, confessa.

Madalena Costa

Empenho e dedicação nos treinos para ser cada vez melhor

Além do talento, o trabalho e o treino árduo são fundamentais para a conquista de novos títulos. Todos os dias depois das aulas, Madalena Costa calça os seus patins e treina duas a três horas, com um elevado nível de exigência. Começa com treino de saltos, piões, coreografia e, no fim, os alongamentos.

Quanto ao que pretende para o futuro, a atleta não tem dúvidas: “Ter uma evolução notória, defender todos os títulos que ganhei a época passada, e apresentar sempre provas o mais ‘limpas’ possíveis, pois um atleta que é bom atleta tem sempre coisas a aperfeiçoar”.

Sheila Rodrigues, treinadora e progenitora da atleta, não admite falta de empenho e de dedicação. Ser mãe e treinadora por vezes não é tarefa fácil, ainda assim, não considera uma condicionante nos treinos. “Há dias que não é fácil, porque passamos muitas horas juntas. Por outro lado, eu conheço-a como ninguém e consigo controlar uma série de variáveis que às vezes não conseguimos controlar noutros atletas”, confessa.

“É um orgulho poder acompanhar o crescimento dela como menina/mulher e como atleta, sentada quase na primeira fila”, afirma Sheila Rodrigues, além há mais de 25 anos foi, ela própria, patinadora. “Eu sou treinadora desde 1995, e confesso que no meu percurso nunca encontrei uma menina tão ambiciosa como a Madalena. Não diria talentosa, eu prefiro descrever a Madalena como uma atleta inteligente, realista e muito trabalhadora”, diz.

Conciliar os estudos com a sua “vida agitada” de atleta de alta competição é mais um dos deveres da jovem. Embora não seja totalmente fácil, Madalena Costa diz ser boa aluna e mantém-se atenta nas aulas: “Consigo poupar imenso tempo de estudo se estiver atenta nas aulas. É claro que nem todos os professores percebem o que é ser uma atleta de alta competição. A minha vida é diferente da vida de uma criança que sai da escola e tem o resto do dia livre, mas considero me uma boa aluna”, conta.

Aficcionada por patinagem artística, levemente influenciada pela mãe, junta a esta paixão o gosto pela saúde humana, “principalmente quando envolve o sistema cardiovascular e os músculos na área de recuperação e lesões desportivas”. Assim, no futuro, pretende ser não só treinadora e coreógrafa de patinagem, mas também cardiologista ou fisioterapeuta. 

“Um orgulho para o clube, concelho e região”

Inspirada por Kamila Valieva, patinadora do gelo, e por Rayssa Leal, no mundo do skate, Madalena Costa é também uma inspiração para muitas meninas. “Um orgulho para o clube, concelho e região”, afirma Toni Teixeira, presidente do Sporting Club Santacruzense (SCS).  “É uma referência na modalidade e muitas patinadoras querem ser como ela”, acrescenta.

Consciente de que é um exemplo para outros atletas, a jovem não se sente sob pressão: “não sinto muita pressão associada a isso, mas sim uma imagem a manter, pois não quero desiludir as pessoas que me apoiam”. As suas prestações a nível Mundial, Europeu, Nacional e Regional, enriquecem o espólio do Sporting Clube Santacruzense. Inclusivamente, desperta a vontade de outros patinadores treinarem no clube, junto da melhor do mundo. Na época passada receberam uma grande equipa de Maspalomas, ilha de Gran Canária, e o campeão da Europa masculino, Francisco Gonçalves, em agosto de 2022. Mais recentemente, em dezembro a campeã juvenil do Brasil viajou até à Madeira, mais concretamente Santa Cruz, para partilhar a pista com Madalena Costa.

Madalena Costa

“O Santacruzense acabou por ficar mais reconhecido pelas entidades desportivas da Federação de Patinagem de Portugal (FPP) e da Associação de Patinagem da Madeira (APM), como também pelas Congratulações da Direção Regional dos Desportos e do Governo Regional da Madeira”, admite Toni Teixeira.

Todos os anos há entradas de novos atletas e por transferência de outros clubes no Santacruzense. Neste momento a secção conta com 40 patinadores, “mas sendo uma modalidade individual, é mais importante a qualidade do que a quantidade”, esclarece o presidente do SCS.

Para todos os que a veem como um exemplo e uma inspiração, a jovem patinadora deixa uma mensagem motivacional: “Nunca desistam dos vossos sonhos, porque se podemos sonhar, também podemos realizar. Basta trabalhar muito, ter uma boa estratégia e nunca deixar de acreditar em nós próprios”.

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