Jorge Ferreira: “desigualdade não deve impedir o acesso à educação e ou condicionar o seu sucesso”

Jorge Ferreira, vereador da educação da câmara municipal de Gouveia, fala sobre as barreiras que o ensino à distância impõe aos alunos e professores. Para colmatar estas dificuldades, o Município de Gouveia disponibilizou cerca de 80 tablets e routers com internet para todas as crianças e jovens do concelho, de forma a contribuir para o sucesso escolar. Para além desta ação de apoio aos alunos o município tem promovido outras de apoio aos Gouveenses.

Entrevista por Raquel Torres Guerra

A Câmara Municipal informou a população de Gouveia de que iriam ceder tablets e router com internet aos alunos. Pode explicar o porquê desta iniciativa do município de Gouveia?

Atendendo à atual situação epidemiológica que o país atravessa, que obrigou à suspensão das aulas presenciais e à implementação da modalidade de ensino à distância, levando a que os alunos dos vários níveis de ensino necessitem, entre outros, de acesso a meios digitais para continuar os seus estudos, o Município de Gouveia não se furtou ao facto de ter atribuições no domínio da Educação, Ensino e Formação Profissional e resolveu agir.

Considerando que nem todos as famílias têm computador ou outros equipamentos e internet e que essa desigualdade não deve impedir o acesso das crianças/ jovens à educação e ou condicionar o seu sucesso educativo, o Agrupamento de Escolas de Gouveia procedeu ao levantamento dessas situações e entrou em contacto com o Município a fim de procurar colaboração para assim conseguir dar-lhe resposta.

De imediato, este executivo autárquico, considerando o preponderante papel da autarquia no apoio às famílias e as suas responsabilidades no domínio da Educação, procurou adotar medidas que possibilitem o empréstimo temporário de equipamentos móveis e a disponibilização de ligação à internet aos alunos(as) que deles não disponham, garantindo, assim, que possuem os meios para aceder e acompanhar o Plano Nacional de Ensino à Distância.

Todos os alunos podem ter acesso a estes “kits” tecnológicos?

O Município disponibilizou-se para adquirir o número de equipamentos solicitados, bem como os respetivos acessos à internet e assim distribuí-los pelos alunos sinalizados pelo Agrupamento de Escolas de Gouveia. Resultando em cerca de 8 dezenas o número de alunos abrangidos.

Para além de ser uma oferta essencial para este momento, constitui também oferta definitiva para os alunos?

Não se sabendo qual vai ser o evoluir de toda esta situação e qual irá ser a resposta tecnológica que o Governo está a preparar para o próximo ano letivo, a disponibilização destes equipamentos pelo Município de Gouveia é feita por um período de três meses, ou seja, até ao final do presente ano letivo. No próximo ano letivo veremos quais irão ser as necessidades.

Tem acesso a algum tipo de feedback sobre a adaptação dos alunos a esta nova forma de ensino?

O feedback que temos tido tem evidenciado que os docentes foram capazes de rapidamente se adaptar a esta nova realidade e estão a fornecer aos alunos o acompanhamento necessário capaz de minorar a situação presente e favorecer a continuidade da aprendizagem dos alunos. Por sua vez, os alunos também estarão a adaptar-se bem a toda esta situação, pois sabemos de quase natural predisposição dos nossos jovens para as novas tecnologias.

Esta iniciativa da entrega de tablets e routers é a título particular da Câmara Municipal de Gouveia ou tem a colaboração de outras instituições?

Para já, esta iniciativa foi exclusivamente a expensas do Município de Gouveia.

A par desta iniciativa que outras ações promoveram face à pandemia do COVID-19?

Para além desta ação, ao nível da educação, fizemos também o levantamento junto dos alunos do pré-escolar e 1º CEB subsidiados com o escalão A das necessidades de continuarmos a fornecer o almoço. Estamos a fazê-lo através de algumas instituições locais, fornecendo a refeição a todos os alunos cujos encarregados de educação manifestaram esse interesse.

A nível social, criámos 2 linhas de apoio às pessoas mais vulneráveis em articulação com as Juntas de Freguesia, autoridades locais e corporações de Bombeiros, dando a possibilidade de lhes levarmos os medicamentos e bens essenciais. Lançámos uma bolsa de voluntariado local. Criámos 2 linhas de apoio psicológico, através das psicólogas do CLDS Integrar (Coordenado pela Casa do Povo de Vila Nova de Tazem). Inicialmente para a população em geral e mais tarde abrangendo também especificamente colaboradores(as) das IPSS. Reforçámos o apoio da Loja social aos beneficiários habituais e procedemos à entrega nas respetivas residências. Desde início, apoiámos as IPSS através do acompanhamento e fornecimento de EPI’s, sempre procurando ir dando resposta às solicitações que nos vão chegando.

E em relação ao aparecimento da doença num dos lares do concelho?

Com o aparecimento do problema num lar do concelho, passámos a dar resposta às situações emergentes (EPI’s, Testes – 2 rondas, pessoal de enfermagem, Bolsa de voluntários específico para trabalhar em IPSS e nesta em particular, 2 desinfeções das instalações, contratação de uma lavandaria industrial para lavagem e desinfeção de toda a roupa da instituição, disponibilização de instalações e pessoal da residência de estudantes para confecionar as refeições nos tempos mais difíceis da instituição). Estendemos o rastreio a todos os(as) funcionários(as) de lares que estejam a funcionar em espelho (rastreados(as) antes de entrarem de novo ao serviço). Além disso disponibilizámos equipamentos de alojamento para pessoas em quarentena ou em serviço e que não pudessem ir para as suas residências (Zona Agrária, Residência de Estudantes). Protocolámos também com a Escola Apostólica de Cristo Rei para aí funcionar o Centro de Acolhimento de Infetados.

Outra das iniciativas foi a distribuição de máscaras cirúrgicas a toda a população do concelho e promovemos ainda ações de desinfeção dos espaços públicos mais utilizados pelos cidadãos. Tudo isto, articulado e monitorizado pelo Gabinete de crise, criado aquando da declaração do Estado de Emergência Municipal – Estado de Alerta, onde temos diariamente pessoal técnico. Estas são algumas das respostas que temos vindo a encetar no sentido de procurarmos ultrapassar este momento menos bom com as menores repercussões negativas possíveis.

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