Casa para Viver. “Saímos à rua para que ninguém tenha que viver em barracas”

O Movimento “Jamarchavas” contou com uma grande concentração de cidadãos no dia 1 de abril, no Rossio em Viseu, numa luta por melhores condições na habitação, para que se olhe para as necessidades das pessoas e se combata o flagelo dos preços elevados que afetem os portugueses.

Reportagem de Carla Ferreira, Inês Figueiredo e João Micaela

Carlos Couto

“Saímos à rua para que ninguém tenha que viver em barracas! Saímos à rua para que ninguém viva sem as mínimas condições de habitabilidade! Saímos à rua para que haja resposta às necessidades reais! Saímos à rua por soluções públicas de arrendamento acessível, social e de emergência! Saímos à rua por soluções de habitação cooperativa! Saímos à rua por mais residências para estudantes, a preço acessível! Saímos à rua para que as rendas tenham tetos Máximos!” São as palavras de ordem que se podem ler no manifesto entregue em mão aos transeuntes da feira semanal de Viseu, pelos responsáveis do Movimento “Jamarchavas”.

O objetivo da ação é divulgar junto dos cidadãos a concentração “Casa para Viver” que iria decorrer no dia 1 de abril, pelas 15h no Rossio, em Viseu. Sob o mote “habitação é um direito humano”, a iniciativa, que é internacional, invoca o direito à cidade, o direito à habitação e mostra-se contra o aumento de preços que está a expropriar a vida das pessoas.

Em Portugal, o Movimento foca-se no direito à habitação, na falta de habitação pública, na falta de soluções de habitação cooperativa e na falta de resposta ao aumento de preços nas rendas das casas e nas prestações à banca. “Falta uma resposta pública para fazer frente a este aumento do custo de vida, principalmente na área da habitação”, sublinha Carlos Couto, um dos responsáveis pela iniciativa.

Contam, com este Movimento, fazer pressão política junto das entidades nacionais para um maior e melhor controlo ao nível do preço das rendas e especulação do preço da habitação para que não seja posto em causa o direito à habitação. A nível local pretendem apelar a um maior investimento na criação de habitação pública e cooperativa, nomeadamente, habitação a preços controlados, habitação social e habitação de emergência, pois como refere Carlos Couto “Viseu tem uma taxa de habitação pública com pouco mais de 1%, quando a média europeia está acima dos 10%”.

Para além da ação na feira semanal, à qual os cidadãos reagem com algumas reservas, apesar de reconhecerem que a habitação é um problema que afeta muitos portugueses, têm estado em vários locais a identificar as necessidades das pessoas.

Viseu, neste momento, acompanha a tendência nacional dos preços altos de arrendamento ou compra de casa, possuindo mais casas desabitadas do que a estratégia local de habitação define como a necessidade de pessoas que vivem sem condições ou em condições precárias. Por este motivo torna-se urgente identificar os edifícios devolutos que possam ser trazidos para hasta pública para o arrendamento a preços controlados.

Carlos Couto refere que “em 2021 existiam cerca de 3500 alojamentos vagos em Viseu, ou seja, são cinco vezes mais casa vazias do que habitação pública ou corporativa, segundo o PORDATA”. Este facto, por si só, já diz muito sobre o problema da falta de disponibilidade dos edifícios públicos e privados que poderiam estar no mercado, dando resposta ao problema.

Para além da feira semanal, o Movimento “Jamarchavas” já passou também pelas escolas, sobretudo, as escolas superiores onde os preços elevados e a falta de alojamento para estudantes é uma realidade. Vão estar ainda no CAOS – Casa de Artes e Ofícios de Viseu para dinamizar um atelier/ reunião, no qual os cidadãos são convidados a fazer o seu cartaz, “a escrever a sua mensagem de protesto”, acrescenta Carlos Couto.

Depois de terem estado no Bairro Municipal que esteve ao abandono vários anos, mas que vai ser reabilitado como forma de resposta ao problema da habitação, vão continuar a sua luta pelos restantes bairros da cidade e pelas restantes escolas do município.

Perante as medidas anunciadas pelo governo no que diz respeito a esta matéria, Carlos Couto é perentório ao afirmar que não acredita que as mesmas possam solucionar os problemas de habitação da população portuguesa, pelo contrário pareceu-lhe tratar-se de um anúncio com o objetivo de criar ruído e de “virar partes da sociedade contra partes da sociedade”, remata o responsável pelo Movimento “Jamarchavas”.

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