Perfil. Angela Merkel, a mulher mais poderosa do mundo

Pragmática e conciliadora, tornou-se na primeira mulher a liderar a Alemanha em novembro de 2005. Ponderada e prudente, governou a maior economia da União Europeia de forma sóbria e serena, durante 16 anos. Angela Merkel, a ‘menina’ cientista que se tornou na mulher mais poderosa do mundo.

Por Kevin Santos

Antes dela, nenhuma mulher havia sido eleita chanceler da Alemanha. Hoje, toda uma geração vê com bons olhos uma governação liderada por uma mulher. Desconhecida e reservada, tornou-se numa das mulheres mais influentes do quadro político mundial. Líder da Alemanha, maior potência da União Europeia, Angela Merkel foi, ainda que não de forma oficial, a chefe da Europa, durante várias crises, tais como a crise financeira de 2008, a crise de refugiados ou a, mais recente, crise da Covid-19. Perspicaz, Merkel, percebe que “a Alemanha só pode estar bem se a Europa estiver bem”. Eleita em 2005, também venceu as eleições em 2009, 2013 e 2017. Em 2018 anunciou que não se iria recandidatar às eleições de 2021, ano que marcou a sua saída, para desagrado da maioria dos alemães.

Filha de Horst Kasner, um pastor luterano, e de Herlind Jentzch, professora de inglês e latim, Merkel, nasceu Angela Dorothea Kasner, a 17 de julho de 1954. Conhecida como a ‘menina’ cientista, estudou física na Universidade de Leipzig e foi aí que encontrou o sobrenome que iria adotar para o resto da vida, mesmo depois de se separar do seu primeiro marido, Ulrich Merkel. Reservada e contida, Merkel reinventou, diz-se, as ideias de Maquiavel, sendo amada dentro da Alemanha e temida fora dela. Muitas vezes considerada fria, Merkel é objetiva e afirma que “se ficasse sempre ressentida, não poderia ser chanceler federal nem por três dias.” 

Tornou-se líder da CDU (União Democrata-Cristã) a 10 de abril de 2000, dois anos depois de ter assumido o cargo de secretária-geral do partido. Acreditando que o seu partido tinha “de aprender a andar e a confiar em si mesmo sem o seu velho cavalo de guerra [Helmut Kohl]”, Merkel tornou-se líder incontestada no partido e, a partir de 2005, também o foi na Alemanha, até ao anúncio da sua saída. A prudência e calma da governação de Merkel contrasta com um panorama político mundial tremido e termina com umas eleições turbulentas. Merkel acreditava em “cidadãs e cidadãos responsáveis o suficiente para decidirem quem querem como próximo chanceler”, mas, foram necessárias algumas semanas de negociações para que Olaf Scholz fosse eleito chanceler e suceder, assim, à mulher mais poderosa do mundo.

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