“Sentir o palpitar e saborear o paladar destas teias.” O jornalismo local na Gazeta de Sátão

Em 1987, surgia o jornal “Gazeta de Sátão” tendo como principal objetivo informar os satenses, estando eles presentes em qualquer recanto do mundo.

Reportagem de Mariana Torres

Este jornal regional mensal, atualmente dirigido por Vítor Figueiredo, noticia o que acontece no Sátão e região. O periódico tem como principal objetivo dar voz aos que foram outrora silenciados, sempre de mão dada com a solidariedade e humanismo, permitindo aos seus leitores “sentir o palpitar e saborear o paladar destas teias”, tal como refere o diretor.

À semelhança da maioria dos órgãos de comunicação social de âmbito local/regional, a Gazeta de Satão não tem um jornalista de carteira profissional. Todos os seus colaboradores têm formações em áreas bastantes distintas do jornalismo, como é o caso do editor do jornal, Ricardo Santos. Formado na área do Direito, aceitou, em 2012, o desafio de incorporar este jornal, no qual admite fazer de tudo, desde a escrita de artigos à edição e expedição do mesmo.

No entanto, Ricardo Santos refere a dificuldade relativa à sua falta de formação “na escolha das notícias de primeira página”. “O grau de importância que lhe atribuo talvez não seja do ponto de vista jornalístico objetivo, as mesmas que alguém com o curso escolheria”, bem como a carência associada ao facto de os colaboradores terem outros trabalhos, “o problema de não ter um funcionário que esteja a tempo inteiro dedicado ao jornal, arranjar colaboradores a título gratuito não é fácil”, acrescenta.

Com a evolução dos média digitais, mais um fator se associou às dificuldades vividas no jornalismo de proximidade, pois “os assinantes cada vez mais escolhem ver as notícias on-line o que levou a um decréscimo dos assinantes”, afirma o editor. Sem esquecer “a diminuição dos apoios por parte das empresas (publicidade) e organismos públicos”, admite Vítor Figueiredo. Pela preferência por meios que possibilitem uma maior projeção, “atualmente poucas são as empresas que querem colaborar com um meio de comunicação local, que não têm a projeção que têm as publicidades em meio digital”, completa Ricardo Santos.

Com número reduzido de colaboradores, as informações são recolhidas de diversas formas, desde contacto direto com escolas e instituições, como através de outros meios de comunicação como a Rádio Sátão, bem como no terreno, “quando efetuamos a devida cobertura e produzimos as nossas próprias notícias”, indica Vítor Figueiredo.

Após 34 anos de existência, a Gazeta de Sátão mantém a lealdade à sua região, bem como aos objetivos iniciais do fundador do jornal, Acácio Santos da Fonseca Pinto, referentes à ética profissional e à deontologia da imprensa, sem nunca deturpar a informação.

Acarinhados pelo seu público, que transmite o seu agrado e estimula a continuação deste jornal local, a Gazeta de Sátão pretende criar colaborações com associações e faculdades da área do jornalismo de modo a fornecer informação mais útil e dessa forma melhorar o jornalismo de proximidade.

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