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Retábulo da Capela-mor da Sé de Viseu
O bispo de Viseu, D. Fernando Gonçalves de Miranda, familiarizado com o sucesso que a pintura importada das oficinas flamengas tinha na corte, encomenda para a Sé de Viseu, no início do século XVI, um retábulo para a capela-mor.

Tudo indica que os painéis tenham sido feitos por uma equipa liderada pelo pintor flamengo Francisco Henriques, entre os anos de 1501 e 1506. A essa equipa de pintores e entalhadores flamengos juntou-se o ainda jovem Vasco Fernandes, mais tarde nomeado com o título de Grão Vasco, sendo esta a primeira obra em que trabalhou ou, pelo menos, a primeira que conhecemos.
Os temas representados relatam episódios da vida da Virgem e de Cristo, na primeira fiada relata-se a
Anunciação, a Visitação, a Natividade, a Circuncisão, a Adoração dos Reis Magos, a Apresentação no Templo e a Fuga para o Egipto. Na segunda fiada os últimos dias da vida de Cristo, a que se chama a Paixão: a Última Ceia , a Oração no Horto , a Prisão de Cristo , a Descida da Cruz, a Ressurreição, a Ascensão e o Pentecostes.
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Anunciação |
Visitação |
Natividade |
Circuncisão |
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Adoração |
Apresentação |
Fuga Egipto |
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Última Ceia |
Oração Horto |
Prisão Cristo |
Descida da Cruz |
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Ressureição |
Ascenção |
Pentecostes |
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Paralelamente às representações religiosas, que aproximavam o público do universo religioso, realça-se o poderoso discurso realista que pretendia activar um efectivo diálogo com o espectador criando um espaço idêntico ao espaço real do observador: uma pintura-espelho, onde se representava também a realidade política e social da época. Exemplo disso são as armas de D. Manuel representadas num pormenor arquitectónico ou a presença de um ameríndio que evoca o descobrimento do Brasil.
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