Até quando vão os interesses financeiros ser mais importantes que a própria vida?

Há poucos dias, um francês, professor de uma escola nos arredores de Paris, foi morto pelo pai de um dos seus alunos. O professor de história havia abordado o ataque à redação do Charlie Hebdo e Maomé numa das suas aulas, numa tentativa de explicar o que é a liberdade de expressão e como este direito foi abalado em janeiro de 2015. O professor pagou com a vida e, mais uma vez, percebemos que (talvez) não somos assim tão livres.

Por Kevin Santos

Mas devemos perguntar-nos: O que motivou este ataque (e todos os outros)? O fanatismo de um pai muçulmano? De onde vem esse fanatismo e porque são os ocidentais considerados como inimigos dos seguidores de Alá?

Eu refleti e cheguei a duas possíveis explicações: A primeira é a jihad, guerra santa levada pelos islâmicos aos infiéis. Cegos pelo fanatismo, os jihadistas mais extremistas acabam por matar em nome do seu Deus e dos seus profetas. Imaginem, então, o que estes sentem ao ver os seus heróis religiosos serem alvo da sátira ocidental.

A segunda? História. O Homem está em guerra desde que se ergueram as primeiras civilizações (ou até antes) e grande parte dos conflitos acontecem (ou acabam por acontecer) naquela zona. Foram/são os povos do Ocidente motivados pelo ódio e fanatismo religioso? Não. E se removermos a religião da equação, o que nos resta? Matéria-prima. Exato! Todos as grandes civilizações e impérios ao longo da história tentaram conquistar o Norte de África e o Médio Oriente, devido aos recursos destas terras. Não existia ódio religioso. De um lado estavam os conquistadores e do outro estavam os povos a defender as suas casas. Centenas, milhares de anos de guerras que tornaram os muçulmanos reféns.

Em finais do século XVIII e início do século XIX, deu-se a Revolução Francesa, um dos acontecimentos mais importantes da história. Foram construídos os alicerces onde assenta o mundo como hoje o conhecemos. Uma explosão de novos ideais em todos os setores da sociedade e cultura. Livres, iguais e irmãos (irónico falar de liberdade e igualdade, tendo em conta o que se passa à nossa volta). Como consequência desta revolução ideológica, rebentou a Revolução Industrial, durante o século XIX. Aparecem as indústrias e é necessária matéria-prima. E onde há matéria-prima? Nos terrenos, outrora conquistados, por exemplo, pelo império de Napoleão Bonaparte, em África e no Médio Oriente.

Para cada ação, há uma consequência. A Revolução Industrial como consequência da Revolução Francesa, a Primeira Guerra Mundial como consequência da Revolução Industrial ou a Segunda Guerra Mundial como consequência da Primeira, são exemplos da cadeia de ações e consequências que nos trouxe ao presente.

Será que os atos terroristas perpetrados pelos jihadistas no Ocidente não são consequência da guerra que os ocidentais levam às suas casas há milhares de anos? Não será a religião apenas uma espécie de “bode-expiatório” e os interesses financeiros a verdadeira razão da existência destes conflitos?

E pergunto eu: Até quando vão os interesses financeiros ser mais importantes que a nossa liberdade? Até quando vão os interesses financeiros ser mais importantes que a própria vida?

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