Fornos a fumegar com iguarias de Páscoa

Existem certamente outros ícones, mas Páscoa que é Páscoa tem de ter bolos amarelos. É na semana que antecede o festejo da ressurreição de Jesus Cristo, que se começam a ver os fornos a fumegar. Cada região do país preserva as suas tradições, no entanto, no Alto Douro Vinhateiro, não há quem não faça os bolos de azeite.

Sendo considerada uma tradição, Arminda Mendes, natural e residente em Folgosa do Douro, Armamar, recorda-se de cozer bolos há pelo menos 30 anos e revela que foi aprendendo ao ver os outros fazer. “Coloca-se a farinha na masseira, ou gamela, como nós chamamos, envolve-se o fermento com um bocadinho de leite e de sal, desfaz-se e depois misturamos com a farinha. Batem-se os ovos, deita-se um bocadinho de manteiga e azeite morno, vinho do porto e sumo de laranja”, explica Arminda Mendes. Depois de amassar, a massa tem de fintar ou levedar durante algumas horas, dependendo do quão quente e aquecida esteja. “É importante a massa ficar em repouso porque é para subir, para estar levedada. A massa levedando cresce, aumenta muito mais”, adianta.

Para quem confeciona estes bolos, o segredo do sabor deve-se ao trabalho e dedicação ao amassar. É tradição dizer-se uma reza para que estes no fim fiquem bons: “Em louvor de São Vicente, te acrescente. Em louvor de São João, que se faça pão. Em louvor da Imaculada Conceição, te bote a tua santa divina bênção. E o Santíssimo Sacramento te acrescente. Eu te pus a sabedoria, e Deus te ponha a virtude”. Segundo Arminda Mendes, na sua região costumam-se fazer bolos azedos e não doces.

Normalmente este tipo de bolos é cozido em fornos de lenha. Este tem de estar a uma temperatura amena. Arminda explica que o forno está à temperatura ideal quando “chega o calor a uma padieira (pedra lateral da entrada do forno) e esta fica branca. Depois com um bocadinho de farinha, a gente deita no forno. Se ela incendiar muito, o forno está muito quente; se incendiar pouco, o forno está bom”.

Na confeção destes bolos, são necessários instrumentos de confeção como uma gamela, rapadoras, uma pá para colocar e tirar os bolos e um arranhador, para arranhar o forno. Esta última ferramenta é importante porque permite “dar lar aos bolos”.

 

Texto e imagens: Rute Monteiro

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