Uma representação da emigração dos dias de hoje

“Eu sou o fantasma de todos os que nunca lá chegaram. E sou o fantasma de todos os que nunca lá chegarão.”

“Ellis” é uma curta-metragem realizada por JR e escrita pelo vencedor de um Óscar, Eric Roth. O filme conta a história de milhares de imigrantes que, na perseguição de uma vida melhor, nomeadamente em Nova Iorque, vão parar ao Ellis Island Immigrant Hospital. Contudo, muitos não recebiam autorização para deixar a ilha rumo à cidade e eram enviados de volta para os seus países de origem. Um desses casos é o da personagem de Robert De Niro, que nunca conseguiu (acabando por morrer no local). O seu personagem ficou no hospital na esperança de um dia chegar a Nova Iorque, mas nunca o conseguiu.

“Ellis” não é um filme para todos. O realizador JR utiliza vários elementos do local para contar a sua história, para além da voz calma de Robert De Niro, que nos transporta para o seu mundo e a época em que viveu, o que pode ser um handicap para alguns.

Sem cumprir funções desde 1930, o cinematógrafo André Chemetoff presenteia-nos com belíssimas imagens do hospital, ao som de uma banda sonora bela e carregada de emoção.

“Ellis” é acima de tudo uma bonita homenagem a todos os imigrantes, não só daquela época, como dos tempos atuais. O realizador JR conseguiu através dos seus planos e da história de Eric Roth e da performance de Robert De Niro, transmitir a emoção necessária para realizar uma curta-metragem que se pode ainda hoje relacionar com os problemas de emigração no mundo, como por exemplo, a situação dos refugiados.

 

Texto: João Almeida

Imagem: Netflix

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